Á veces creo que te amo, pero luego se me pasa

To meio sem tempo para atualizar o blog, desculpem. Mas a causa é justa e a calça estreita:
Fui convidada para representar o Brasil no Festival Internacional de Poesia, em Granada - Nicarágua. Vou lá, em fevereiro de 2007, com mais 40 países e a nobre companhia de Thiago de Mello, mostrar nossa poesia brasileira.
Por enquanto, deixo um poema fresquinho que já nasceu em espanhol.



Á veces creo que te amo, pero luego se me pasa

Es cuando lluevo
Tromolo
Humedezco
Emulo tierra en el celo
Lloro
Pero, quando escampa
Te evaporo

Es cuando despierto
Rebooto
Reinstalo saberes
Sabores
Deleito recuerdos
Reluto deletarte
Y salvo-temporariamen-te

Es cuando me río
Diluyo
Fluyo
Desaguo en tus braços
Afluente
Y me olvido que soy
Solamente riacho.

Es cuando sueño
Me extasio
Fijo la mirada en el vacio
De la saudade
Pero hay siempre
Un maldito mosquito
Que vuela de repente
Trayéndome de vuelta
A la realidad.
(marilda confortin)

Poetrix


Poema abortado

Ainda era um feto
um poema incompleto
o coração já batia

Poetrix

Cena matutina

sobretudo repousa cúmplice
sobre o criado
mudo

assistindo ao programa eleitoral gratuito


Odeio quando resolvem
testar meus limites
encostando um revólver
nas minhas costas.

Não gosto de desafios
de roleta russa.
Não viro a casaca
Nem visto carapuça.

Prefiro o alvo concreto
de um torneio de tiro
às metáforas estúpidas
dessa política corrupta.

Não meço ninguém
só pelo que fala
nem pelo que cala
mas pelo que sente.

Sinto muito,
não sei ser diferente.
Meu instinto não falha.

Canalhas também têm
cabelos brancos
e olhos azuis.

Poetrix

Lei torta

Eleitor é leitor?
Ninguém se importa.
O voto é obrigatório.

Poetrix






Meu olhar mergulha no espelho
Bem no fundo encontra
Um desvio para o vermelho

No princípio era o verbo


No princípio era o verbo.
e ao bardo
bastava a verve,
sem nada verbalizar.

Mas o verbo se fez carne
e habitou entre nós.

Materializou o abstrato,
quebrou o silêncio,
moldou imagens,
pariu o sons.

E dele nasceram palavras
que conjugaram frases,
conspiraram livros,
tratados, enciclopédias.

E as palavras criaram penas,
leis, escolas, sentenças.

E o pobre poeta foi condenado
a sofrer de prisão de versos.
(tem algum advogado de plantão para soltar meus versos? rsss)

Um "isto"


Um isto

É meu o cisco
a faísca
o escuro ínfimo
que existe no mundo
quando teu olho pisca
é meu teu medo
teu segredo
sou eu

O ERRO CERTO

 O ERRO CERTO - Do livro Vestígios - Affonso Romano de Sant'Anna - Editora Rocco

]A Tabacaria e vários poemas de Fernando Pessoa têm versos demais e muitos precisariam ser reescritos.
Trechos dos Cantares de Elza Pound são prosaicos e a rigor incompreensíveis.
Manuel Bandeira e Neruda têm alguns poemas, que façam-me o favor!
Os Lusíadas, às vezes, cansam, quase viram prosa rimada, tal como ocorre com partes de Eneida, da Ilíada e da Odisséia.
Alguns quadros e desenhos de Picasso nem parecem feitos por um mestre.
Stravinsky às vezes aglutina sons demais em sua pauta.
Mahler, como Brahms, faz música, às vezes inteligente demaise um dia, pasme! ouvi algo de Mozart que não me comoveu.
Até Bach tem composições de pura habilidade.
Não é possível acertar o alvo o tempo todo como sabe qualquer atirador.
Por que não queres aceitar a imperfeição do meu amor?

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pois é... por que? me diga!

poetrix






Vira-latas

Revirando o lixo,
menos que um bicho
é um menino.
(Argemiro Garcia - à Marilda e Bandeira)

corpus christie

Na vernissage do Alexandre Linhares, (http://www.alexandrelinhares.com/exposicoes/mvm/) não teve como não se impressionar com o imenso crucifixo coberto de hóstias formando a imagem de Cristo. Aqui, uma foto dessa obra e um poema meu. Até parece que foram feitos um para o outro... rs


corpus christie

Teu corpo, não dispo:
visto.
Tua cruz, não ergo:
vergo.
Teu pecado, não absolvo:
absorvo.
Tuas chagas, não vi:
cri.
Teu cio, não sacio:
cedo-me.

E por te amar,
não te toco,
abstenho-me.


Não te traio,
abstraio-te.

Cubro teu falo
e me calo
cúmplice.

Partidos

Para Elza e outros amigos candidatos espalhados pelos vários partidos politicos


Era um elo,
quebrou-se.
Ele foi-se
eu martelo.
Eramos só dois
unidos.
Hoje somos tantos
partidos.

Mil vezes maldita

Parem!
Eu, pecadora, confesso: Sou reincidente no amor.
Mas não mereço a pena.
Careço é de pena, Meritíssimo!
Cristo disse: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
Ingenuamente, acreditei.
O Alexandre disse que este meu poeminha aí, inspirou-o nessa série que mostra "A arte maldita, a sociedade maldita, a hipocrisia maldita, o desespero maldito e a crença na fé e no amor". http://www.alexandrelinhares.com/mvm/artista.htm
Sinto-me honrada e morta de curiosidade para ver o resultado. Estarei lá, sim, Alexandre. E claro que vou recitar.

Lidando



Daqui,
Dali,
na lida
não li
nada

releitura do W.Abreu:

naaridalidadavidadanadaquelequenada

com


Encontrei a palavra com na lata do lixo.
Suja, rasgada, desbotada.
Perdida da frase, perdeu o sentido.
Com pena, embrulhei-a com um poema.
Mas, prolixa que sou,
asfixiei-a.
BONS POETRIX DE BONS AMIGOS


Est-ética
Das muitas cicatrizes,
algumas, tão bem feitas,
já são tatuagens.
(Tê Soares - DF)


Cara Metade

Melhor par não faria
eu, e essa minha falta
de companhia

(Sara Fazib - SP)


PESSOIX
um terço de mim delira
um terço de mim pondera
outro terço: ah! quem dera!

(Goulart Gomes - BA)


Ensoñación


Soñamos desnudos
hasta morir el día
(tú en tu casa, yo en la mía)

Everardo Torres (México)

Poetrix: Assassina


Assassina

Com agulhas de crochê
a velha senhora
mata as horas

poetrix

Déjà vu

a história é sempre a mesma
muda só o ator principal
... e eu sempre choro no final.

[...] Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil.
Vives em mim como uma filha, que és.
Uma ilha de ternura:
a Ilha Brasil, talvez.

(Vinícius de Moraes)

Ah! Mátria amada minha...
Eu torço tanto por você!

Foto: D’Noronha
http://dnoronharte.blogspot.com/