Poetrix

(d)efeitos

teus enfeites
não me distraem
te conheço pelo avesso

Poetrix


Pôr do sol

 
Melhor filme de todos os tempos.
É de graça, passa diariamente
e tem gente quem nunca assistiu.

(Tirei essa foto lá na Ilha do Mel)

PALAVRA DE MULHER - por Anita Fernandes

E chegou então a esperada noite, preta como a roupa que eu vestia. Encontrei Helena, de preto e verniz, que apertava o roteiro branco com as mãos de unhas escuras. Entramos no conhecido porão, cenário de tantas noites bem vividas e mal dormidas, agora com sua pista coberta por mesas. A iluminação ora colorida estava sugestiva, permeada por vermelho e velas.

Marilda já estava acomodada em uma mesa perto do palco. Loira, clara, concreta. Logo veio o vinho e meus sentidos já se entregaram à taça tinta, entre goles e risadas fui esquecendo o que significava o caderno colorido cheio de papéis na mesa a minha frente, onde eu havia acomodado o roteiro da noite. O lugar, então cheio de ruídos e risadas, calou-se quando Brenda anunciou que era hora das mulheres darem sua palavra.

Helena e Marilda subiram ao palco e suas palavras começaram a deslizar pela noite....

Poetrix



Sacanagem
Fui flagrada pensando bobagem.
E agora?
Onde enfio essa cara gozada?
Acordei com um poema do Manoel Bandeira na cabeça....

ANDORINHA

Andorinha lá fora está dizendo:
- "passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste"
Passei a vida à toa, à toa...

Danilo Avelleda espetáculos teatrais e Cia Máscaras de Teatro apresentam:
Peça dramática com texto de Helena Sut e Danilo Avelleda
e poemas de Marilda Confortin


A porta estava entreaberta, resolvi entrar.... O comentário espirituoso de um dos expectadores dá início à longa jornada pelo pequeno corredor que leva ao palco. Embebida pelas palavras inconfundíveis de Helena Sut e Marilda Confortin, a platéia acompanha os temores, virtudes e segredos de Dionísio e Pilar.

Leia a resenha de Anita Fernandes em http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14119&alterarHomeAtual=1

DIA DAS MÃES



Ei você,
que está procurando um poema
que se pareça com sua mãe,
que não é nenhuma santa,
nem uma modelo de capa de revista,
que não é artista
nem grande cozinheira.
Você,
que tem uma mãe
que não é tão companheira,
que não te ama o tempo todo,
que não te perdoa sempre,
que não é lá uma brastemp.
Você,
que acha as poesias do dias das mães
"bonitinhas, mas não rima com a minha",
que não sabe o que fazer de almoço,
que adoraria fica dormindo,
como se fosse um domingo qualquer.
Você mulher,
que é mãe e não se identifica
com nenhuma dessas mensagens,
porque não é tão bonita,
nem tão forte,
nem tão divina
quanto nos vendem

nos comerciais.
Ei, você!
Relaxa...
Os dias são todos iguais

e a maioria das mães
são iguais,
assim como você e eu: normais

Poetrix




Delinea dor

Contorno olhares
rebuscando no rosto
a ternura perdida

Restrições




Temo pelas
entregas
quando ciúmes
imperam;
bons vinhos
ponderam
ir mais lento
às adegas.

Vilmar Daufenbach

OLHARES





Não me olhes
com esses olhos de melindres
pão de mordaça
farpa de ferpa
arame farpado
desconfiados
vesgos
um pra cada lado
não me olhes
com esses olhos findos
fundos
prometendo sois ao mundo
cuidado
eles traem
e atraem
suicidas
não me olhes
com esses olhos alheios
que procuram atalhos
e se recolhem em infâncias
lilázes
olhos que bóiam
na cerveja caipira
curiosos
furiosos
famintos
fumegantes
olhos que fogem
e tropeçam em esquinas
que me ensinam
onde meu fogo ocorre
olhos que me chovem
e me acendem
não me olhes com esses olhos
de ovo frito estrelado
decididamente
não me olhes
com esses olhos
de cigarro apagado

(CAFÉ CULTURA 06/12/04: Bia de Luna, Marilda, Altair, Juliana, Celita)
poema escrito a 5 mãos num bar numa daquelas noites infernais
A pontuação fica por conta do leitor
Coloque onde quiser
Onde fizer sentido
Se fizer
Se quiser
DISTÂNCIAS
Altair de Oliveira

Pudesse, eu seria doce
e, se desse, desde o começo
de sede, eu viesse cedo
relendo o seu endereço.

E fosse avesso do avesso,
azul do tanto que houvesse
gastasse um gesto de gesso
num beijo gosto de festa.

E nunca mais me esquecesse
feliz em todas as espécies...
Por mais que a vida nos perca
e a morte esperta nos pesque.
III FESTIVAL INTERNACIONAL DE POESIA EM GRANADA


CARNAVAL POÉTICO


MILHARES DE PESSOAS NA RUA. EM CADA ESQUINA DE GRANADA ALGUÉM SUBIA NO "POETA-MOVEL" E RECITAVA UMA POESIA.



EU SUBI E FALEI POR TODOS NÓS, POETAS BRASILEIROS.


E TOMEI UNS TRAGOS COM ERNESTO CARDENAL,


E POSEI PARA A FOTO COM UM BÊBADO DA RUA,


E CONHECI GIOCONDA BELLI,


RECITEI COM THIAGO DE MELLO,

E MAIS DE 200 POETAS DE TODOS OS CONTINENTES,


QUE ASSIM COMO EU E VOCÊ,
TEMOS UM VULCÃO ATIVO DENTRO DO PEITO,
PRONTO PARA EXPLODIR A QUALQUER MOMENTO,
COMO TANTOS VULCÕES QUE EXISTEM NA NICARÁGUA
E NO CORAÇÃO DOS POETAS.

VULCÃO MASAYA

Meu coração
se viu pela primeira vez
no espelho

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Elisa Lucinda



[...] Sempre quis um amor que coubesse no que me disse. Sempre quis uma meninice entre menino e senhor, uma cachorrice onde tanto pudesse a sem-vergonhice do macho quanto a sabedoria do sabedor.
Sempre quis um amor cujo BOM DIA morasse na eternidade de encadear os tempos: passado presente futuro, coisa da mesma embocadura, sabor da mesma golada. Sempre quis um amor de goleadas, cuja rede, complexado pano de fundo dos seres, não assustasse.
Sempre quis um amor que não se incomodasse quando a poesia, da cama me levasse. Sempre quis uma amor que não se chateasse diante das diferenças.
Agora, diante da encomenda, metade de mim rasga afoita o embrulho e a outra metade é o futuro de saber, o segredo que enrola o laço, é observar o desenho do invólucro e compará-lo com a calma da alma, seu conteúdo. Contudo, sempre quis um amor que me coubesse no futuro e me alternasse em menina e adulto, que ora eu fosse o fácil, o sério e ora um doce mistério, que ora eu fosse medo-asneira e ora eu fosse brincadeira ultra-sonografia do furor [...]. Trecho do poema DA CHEGADA DO AMOR - de Elisa Lucinda
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