O poeta e o alfeneiro

(ao amigo e poeta Vilmar)

Exilado em seu apartamento
Expurgado de sua matilha
Preso à própria armadilha
Vive o poeta e seus pensamentos.

Troca segredos com a parede
Mas, nem ela lhe responde
O vinho, já não lhe mata a sede
O sono, perdeu, não sabe onde.

Até que numa noite, na janela
Viu uma luz no prédio em frente
Do nada, apareceu uma donzela
Despindo-se assim, de presente.

O poeta prendeu a respiração
E escondeu-se atrás da persiana
Tentou interromper uma ereção
Mas já se molhava o pijama

A moça passeava pela sacada
E entrava num outro cômodo
Cuja visão fica prejudicada
Por um alfeneiro incômodo

Sai daí, arvorezinha inconveniente!
Não vê que estás me atrapalhando?
Quem te plantou na minha frente?
Anda logo! Estou lhe ordenando.

Mas, a surda-muda de arbusto
Ignorou-o e continua crescendo
dia após noite, para seu desgosto
e a figura da moça, escondendo.

A silhueta da desconhecida nua
Era a sua mais bela inspiração
Mas a maldita árvore de rua
Foi tapando toda a sua visão

O poeta praguejou, inconformado
Maldisse a igreja e a prefeitura
Por não permitir ter podado
Aquela pobre e inútil criatura.

Poetas, da paz são mensageiros.
É... Exceto o poeta em questão.
Ele arrancou a casca do alfeneiro
E transformou-a em lenha de fogão.

O louco foi levando a julgamento
Por ter matado uma árvore em extinção
A musa, foi despejada do apartamento
Acusada de exibicionismo e sedução.

Eu, que não sou poeta nem carteiro
Nem protetora de musas e vegetais
Fiquei com pena do pobre alfeneiro
E resolvi defendê-lo nos tribunais.

Mas, perdi a causa, foi um fracasso.
Árvores, nascem todos os dias
Já poetas, são cada vez mais escassos
Eu deveria ter defendido a poesia.
PEGADA DE COMPOSITOR


Inacreditável! Mauro e Gerson conseguiram juntar um time de artistas fantásticos nesse encontro. O que era pra ser só mais uma noite comum, virou um baita show. Acho que a nossa homenageada, Helena Kolody, mexeu os pauzinhos lá em cima... Olha só quem apareceu e deu uma "canja" ontem: Gerson Bientinez, Mauro Barbosa, Rogéria Holtz, Murilo da Ross, Ricardo "o Rosinha", Flávia Diaz, Rodrigo Ribeiro, Turco (Dalton), Juliana Martinez (bailarinha flamenco), Fernandinho Loko. Pode? Parabéns Mauro. Parabéns Gerson.
Esse projeto "pegada de compositor" vai virar notícia logo, logo...
No próximo, vê se vai, viu? Você não sabe o que tá perdendo.

Nesta sexta-feira, 15 de maio de 2009, esqueça a casa e o trabalho e venha com toda sua garra dar o seu GRITO DE LIBERDADE no “Do mato”.

Entre músicos, poetas, contadores de histórias e causos, estaremos celebrando (bebericando) nossa Lei Áurea Inconfidente: Prazer, Poesia e Liberdade.

Abaixo está a letra de nosso samba- manifesto, etnicamente correto, o samba do afro-descendente doido e a bandeira de nossa causa mui justa.

Sua presença será comemorada com um Grito.

BAR DO MATO - Fone: 3203 0889

Travessa Lutero, 12 (Alto da Glória)

Enfrente ao Tubo Maria Clara - a partir das 18h :30min



Yma Sumac

Esta é a voz mais exótica que que já ouvi. É da peruana Yma Sumac (1922-2008) , um fenômeno vocal capaz de atingir notas impossíveis.

SAL DA IDADE

Texto: Marilda Confortin; Imagem:peoplepaintners

Banco da poesia


Tem um banco novo na praça

Se chama "BANCO DA POESIA". O banqueiro e maior investidor é o competente Cleto de Assis, que com seus desenhos mágicos transforma palavras em imagens belíssimas.
O endereço do banco é http://cdeassis.wordpress.com
Eu já abri uma conta e depositei meus trocadilhos. Em menos de 24 horas, rendeu a formatação do poetrix acima e a ilustração abaixo, que acompanha minha biografia. Valeu, grande CLETO!


Eu sou só uma mulher que sofre de poesia crônica

eu sou só uma mulher que sofre de poesia
eu sou só uma mulher que sofre
eu sou só uma mulher
eu sou só uma
eu sou só
eu sou
eu

Ser poeta


Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

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