Mensagem de fim de ano


Se eu encontrasse o gênio da lâmpada ou a Mãe de Deus e pudesse interceder junto ao Criador para realizar três desejos, eu pediria apenas um: Que a simbologia do nascimento do amor e da paz comemorada no Natal, não seja mais uma metáfora. Que seja real e perdure além das festas de fim de ano, cresça ano após ano, se materialize nos atos das pessoas, independente de crença, cor, gênero, classe ou limites geográficos. Por todos os séculos dos séculos. Amém.

estela maia



Monumento 6 de Tortuguero. Estela maia que assinala o dia 23 de dezembro de 2012 como o fim de um ciclo e início de outro.

Não matem. Não morram. Os maias previram o fim de uma etapa e começo de outra. 

Quem viver, verá...rsrsrsrsrs.

Dave Brubeck e Oscar Niemeyer


"Take Two":
Oscar e Dave


Poema de Tonicato Miranda

com desenho de Miró

na janela, no olhar

miro meu interior calado

enquanto ouço nuvens

hoje viraram lenda

dois pianistas geniais

um tocava lapiseira

o outro meus ouvidos

um riscava espaços

o outro os ocupava

Tonicato Miranda

Curitiba, 5/12/2012


XX Encuentro Internacional de Mujeres Poetas en el país de las nubes

Depois de 20 dias no México, estou de volta.
Cansada, mas feliz.
Fica aqui uma pequena mostra fotográfica dos melhores momentos que vivi na Mixteca.

XX Encuentro Internacional de Mujeres Poetas en el país de las nubes - México





Mujeres Poetas en el país de las nubes 2012


Então... não terá moleza no XX Encuentro Internacional de Mujeres Poetas no México. Logo no dia seguinte à minha chegada, antes mesmo da abertura do Encontro, já farei uma leitura numa das casas de cultura, juntamente com Blanca Salcedo da Argentina e Theodoro, do Chile.  Olha que programação interessante:


Nos dias 4 a 6, acontecerão as reuniões, debates, oficinas e recitais sob o tema  "La República en la vóz de sus poetas" - no centro histórico da cidade do México.  
De 7 a 12, a programação será um sufoco. Cada dia em uma cidade diferente: 

Día 7 - Región Mixteca
- Talleres y recitales en las escuelas  de la comunidad de Santo Domingo Yanhuitlán y - Recital de Inauguración  en el Ex Convento de Sto. Domingo 
Día 8 - Villa Tamazulapam del Progreso
- Recital en la Escuela Normal para Maestras
- Recitales, pláticas y talleres en las escuelas de la comunidad
Recital en el Templo de Nuestra Señora de la Natividad
Día 9 - Nochixtlán y Teposcolula
- Recital en la Capilla Abierta
- Reunión con autoridades municipales
- Regreso a Yanhuitlán
- Recital de Clausura en el Ex convento de Santo Domingo
Día10 - Ciudad de Oaxaca
- Reunión de trabajo
Recital Museo del Palacio de Gobierno
Día 11 - Monte Albán
Recitales, pláticas y talleres en las escuelas de la comunidad
- Reunión de trabajo,  evaluación y recital de despedida
Día 12 - Recital Universidad La Salle
- y retorno a la Ciudad de México

é uma maratona poética pra ninguém botar defeito.Precisaremos mesmo dessas asas...

haicai ou poetrix?

Na edição do dia 23/11, o colunista  Murá postou uma matéria no Indústria & Comércio, falando sobre minha poesia. Aí está:






Se você disser à poeta Marilda Confortin que ela escreve hai-kais, pode até perdê-la como amiga. Ela é daquelas que faz questão de levar rigorosamente a sério a conceituação de “hai-kai”, forma poética originária do Japão e que tem regras muito específicas. A grande maioria dos poetas, no Brasil, faz “kai-kai” como bem entende: desde que sejam versos de três linhas já são rotulados como tal. Marilda, ao contrário, faz parte e defende o movimento Poetrix, que produz textos poéticos de três linhas, mas chamando-os de “poesia minimalista”.

NAS ESCOLAS
Este ano, Marilda e outros poetas do movimento Poetrix foram às escolas, ministrar oficinas de poesia. Dias 23, 24 e 25 ela estará ministrando as últimas oficinas de Poetrix, na Escola Municipal Mirazinha Braga Braga (a convite da prof. Magali Fressato) e na Escola Municipal Nympha Peplow (a convite da prof. Lucia Felix Pedri), para alunos das 5º séries, “gurizada muito criativa”, segundo a poeta. Ela mesma é bastante versátil, pois conseguiu ser analista de sistemas (já aposentada), sem deixar de ser poeta e cronista. Nascida e crescida em ambiente rural na cidade de Chapecó – SC, teve pouco acesso aos livros na infância. O primeiro contato que teve com a poesia foi na forma oral, por um tio que a ninava recitando poemas de Olavo Bilac.

EM CURITIBA
Aos quinze anos candidatou-se a tirar pó dos livros da biblioteca do Seminário Diocesano próximo à sua casa. Naquele trabalho descobriu os livros. Encantou-se com a palavra. Em 1975 mudou para Curitiba, onde criou raízes e filhos. Estudou na UFPR, trabalhou como analista de sistemas, e nos últimos anos como diretora do Departamento de Tecnologias e Difusão Educacional da Secretaria de Educação, onde foi responsável pela implantação de uma rede de mais de 180 bibliotecas, merecendo o prêmio “Objetivos do Milênio/2009”. Participou da Primeira Antologia Poematrix, e de outras antologias.

LIVROS E EVENTOS
Marilda representou o Brasil em dois eventos internacionais de Poesia: X Encuentro Internacional de Mujeres Poetas no México e Festival Internacional de Poesia de Granada, Nicarágua. Publicou cinco livros, alguns textos avulsos, uma peça de teatro, participou de várias antologias nacionais e internacionais. Recebeu prêmios literários e outros como letrista. Atualmente tem mais de 50 textos musicados. Pertence à Academia José de Alencar e ao Movimento Internacional Poetrix, onde é uma das coordenadoras e incentivadoras mais ativas. Poesia recita em qualquer espaço, bares, teatros, escolas, feiras, festivais de poesia e locais públicos. Mas não digam que são hai-kais!

Tonicato Miranda

Terça foi a noite do Tonicato Miranda brilhar no Wonka Bar, dentro do projeto Vox Urbe. Seus poemas foram lindamente interpretados por ele mesmo e pelo poeta Rodolfo Jaruga. O fundo musical ficou por conta do violão instrumental de Gegê Felix.
Teve até entrevista... confira aí:



HAICAI



Lançamento da Coletânea de Haicais
A LÂMPADA E AS ESTRELAS

O livro reúne 10 autores, contém 200 poemas, e presta uma homenagem à poeta Helena Kolody no centenário de seu nascimento.

LOCAL: MUSEU GUIDO VIARO – Rua XV, 1348 (em frente à Reitoria).
DATA: dia 31 de agosto de 2012, sexta-feira, às 19 horas.

OS AUTORES:
 A. A. de Assis, Alvaro Posselt, José Marins, Marilda Confortin,
Rosalva Freitas Brüsch, Rosângela Jacinto, Sandra Benato,
Sérgio Francisco Pichorim, Suzana Lyra Strapasson e Vanice Ferreira,
agradecem a sua presença.
=-=
 Boêmio bebum.
A garrafa numa mão
e rosas na outra.
(marilda) 

Poesia na voz dos poetas

7 ANOS DE WONKA BAR 


Em comemoração aos 7 anos do Wonka Bar, uma edição especial do Vox Urbe, com a declamação de poemas de Marcelo de Angelis, Paulo Bearzoti, Marilda Conforotin, Edu Hoffamann, Thomas Ramalho, Marcelo Sandmann, Ivan Justem e Fausto dos Santos.

OUÇA-NOS

Poetrix


Per ver tendo-te

disseco-te
verso per
verso

(Marilda Confortin)

do outro lado da rua

Depois da feijoada do Don Max, bom mesmo é lagartear com os amigos.  

de Ana Lúcia Gouvêa da Silva com carinho para Marilda


Maestrina das letras 
Animadora das palavras
Rimando ou proseando...
Inspiradas e iluminadas
As frases vão se formando!


Mesclando e colorindo
As vezes intrigando e confundindo
Realidade e imaginação
Ilusão ou fascinação...
Lírico, divino ou profano,
Do mundo nada a esconder
A penas... viver e deixar viver!  

 16-07-2012

Mais uma vez a Ana Lúcia, essa poeta linda e querida, me homenageia com seus versos. E mais uma vez, eu agradeço a Deus por ter amigos tão nobres e atenciosos. 

Muito obrigada por esse belo acróstico,  Ana Lúcia
Link para o blog de Ana: http://poemasanalu.blogspot.com.br/

XX ENCUENTRO INTERNACIONAL DE MUJERES POETAS



Agora é oficial e posso compartilhar essa boa notícia com os amigos e familiares: Fui escolhida para representar o Brasil no XX Encontro Internacional de Mulheres Poetas no País das Nuvens - México. Recebi o convite e a confirmação do órgão organizador no início desta semana e estou providenciando o que me foi solicitado. 


Sei que alguns astros da Via Láctea estão Bilacquiando: “Ora (direis)”, por que a Marildinha? Nem brilhante é. “E eu vos direi, no entanto,” usando palavras da poetamiga Helena Kolody: “Deus dá a todos uma estrela. Uns fazem da estrela um sol. Outros, nem conseguem vê-la”.

O XX Encontro Internacional de Mulheres Poetas de 2012 se realizará de 6 a 13 de Novembro. É presidido pelo poeta Emílio Fuego, do Centro de Estudos da cultura Mixteca, e tem a coordenação e apoio do Consejo Nacional para la Cultura y las Artes (CONACULTA), da Secretaría de las Culturas y Artes del Gobierno de Oaxaca (SECULTA), do Instituto Nacional de Bellas Artes (INAH), da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), dos Governos Municipais e comunidades indígenas da região Mixteca do estado de Oaxaca e de maneira muito especial, das famílias que há 20 anos recebem em suas casas, as poetas contemporâneas do mundo selecionadas para esse intercâmbio cultural.

A parte principal do festival será na região Mixteca de Oaxaca, mas acontecerão recitais, palestras e apresentações em escolas, universidades, teatros, praças e igrejas de outras regiões, culminando com um grande recital no magnífico Palácio Nacional de Belas Artes, na cidade do México. Lá mesmo, onde estão os famosos painéis do Diego Rivera, no mesmo palco onde se apresentaram ícones mundiais como Maria Callas, Pavarotti e onde aconteceu o funeral da Frida Kahlo. Arrepiante!

Essa é a segunda vez que tenho o privilégio de participar desse encontro no México e a quarta vez que represento o país em eventos de poesia (Portugal,  Nicarágua e 
México). 


VIVA A POESIA!


Deu no jornal - Silvério da Costa

Com 4 meses de atraso, posto aqui a nota literária sobre meu último livro "Busca e Apreensão", escrita por  Silvério da Costa, publicada no Jornal Sul Brasil. Essas coisas inesperadas, deixam a gente muito feliz e eu nem sei como agradecer.


JORNAL: SUL BRASIL - 8 DE MARÇO DE 2012
COLUNA: FRONTE CULTURAL
COLUNISTA: SILVÉRIO DA COSTA

A FERA VOLTOU!

“Busca e apreensão, de Marilda Confortin, uma chapecoense radicada em Curitiba há muitos anos, é um livro de poesias que vai além da própria poesia, porque penetra nos meandros da psicologia, do destino do ser humano e das contradições da vida, servindo de embocadura para chegar à reflexão sobre a condição humana e a existencialidade, com tudo que tem direito, tendo o humor refinado e sarcasmo como linha de frente.

Marilda explora os diferentes caminhos da poesia, vinculados ao cotidiano, com uma forma de abarcar temas diversos, embora prevaleçam os de cunho mundano-erótico-libidinosos, regados a doses etílicas que deixam qualquer Baco de quatro, como forma de libertação.

“Busca e Apreensão” é um livro que olha para o passado, sem sair do presente, para revelar o futuro, porque enfoca o dia a dia do ser humano através de uma linguagem multifacetada e poliédrica, criando uma harmonia pluridimensional, com o envolvimento de grandes nomes da poesia universal como Florbela Espanka, Liminski, Neruda, Maiakówski e outros, misturando poemas prolixos com poemas sintéticos, como os que fazem parte do Movimento Internacional Poetrix (poemas de três versos), do qual Marilda é uma das principais cultoras. Ela é uma poeta plural, heterogênea, que mistura, sem pejo, tradição com modernidade, para elaborar suas ideias e transformá-las em poemas cujos versos têm, muitas vezes, uma só palavra, ou menos que isso, fragmentando-os, e unindo-os, e superpondo-os, formando novas configurações.

Marilda Confortin é uma poeta irrequieta, que busca na desordem do universo (seu e dos outros) o material para sua realização substancial, sem meias palavras, deixando claro o seu inconformismo com a lida e com a vida, sem falar das peleias metafísicas. Sua poesia é o resultado da inventividade e da insubmissão, usando para isso uma linguagem pícara e de duplo sentido, exercitada em jogos frasais e trocadilhos, valorizando a semântica e fazendo confluir para a concretização da poesia, uma poesia sem adereços, sem elucubrações e com endereço certo. As suas ferramentas são a sensibilidade e a competência, que a têm projetado para o Brasil e para o mundo. Parabéns! Vejam:

MÁ NOTÍCIA

O gato subiu no telhado
A casa caiu
O Universo entrou em entropia
E eu aqui esse frio
Fazendo poesia
De um lado pra outro
Onça enjaulada
Ainda não entendeu
Como caiu na cilada.

Eu só queria saber por que Deus
Deu sete vidas pros gatos
E só uma pra mim.


SOBRE HOMENS E DEUSES

Cala-te homem!
Não molestes os deuses
Com tuas perguntas tolas sobre as mulheres.
Os deuses são etéreos.
Nada sabem sobre seres de barro
Modelados por mãos humanas.

Tu me imaginaste e me esculpiste.
Tu sabes quem sou e onde estou.
Por que me buscas tão distante?

Esquece tudos o que sabes
E toca-me, cego, em braile.
Aguça o tato e trilha o caminho úmido
Que te conduz ao útero.

Já o percorreste uma vez
Quando eras esperma.
Lembras?

Adentra-me.
Por alguns instantes
Não será homem nem mulher.
Serás Deus.

Quando te liquidificares em mim
Saberás que a vida começa
Numa pequena morte.
Chão e ar te faltarão
Mas estarás mais seguro que nunca
Porque saberás que é aqui
Dentro de mim
Que te inicias e acabas.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Silvério Ribeiro da Costa é brasileiro naturalizado. Nasceu em Porto, Portugal, mas reside no Brasil há muito tempo. Publicou dezenas de livros, participou de mais de sessenta antologias, escreve poesia, prosa, resenhas, notas e crítica literária. Faz parte de diversas instituições culturais do Brasil e exterior, entre elas a IWA-International Writers Association and Artists, com sede em Ohio-E.U.A. Tem trabalhos publicados em revistas e jornais de vários países e já foi traduzido para o Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Esperanto e Grego.
Assina coluna Fronte Cultural, no jornal Sul Brasil, em Chapecó,SC. http://www.jornalsulbrasil.com.br/site/

Aniversário do Wonka

É muito bom comemorar o aniversário de um espaço como o Wonka que sempre deu oportunidade e promoveu os artistas locais. Espero vocês por lá.



 Parabéns Ieda.  

EMERGÊNCIA DENTÁRIA - por José Marins


Voltei ao dentista no mesmo dia. Avisei a secretária que iria no final da tarde. Só tenho horário para daqui 20 dias – insistiu.
Trata-se de uma emergência – pedi.
De pé na sala de espera, só retirava a mão da boca para repetir: isso não  podia ter acontecido. Espanto e curiosidade nos olhares. Quando saiu o último cliente, pulei para dentro do consultório.
 – O que houve? –  perguntou o dentista.
 – Perdi meu assovio!
 – Podemos procurar, aviso à faxineira. Como era?
 Sentei na cadeira.
 – Perdi-o com a restauração!
 – Como assim?
 – Não consigo assoviar depois disso. Era de estimação...
 Ele riu, eu fiz cara de sério.
 – Como vou me comunicar com o meu canário? Eram uns dez tipos de
afinações.
O dentista girou a primeira lixa, a segunda, a broquinha de alta rotação.  Eu tentava assoviar a cada tentativa, nada. Dispensou a secretária com  voz irritada sob a máscara. Pedi calma, a coisa podia piorar.
Mexeu, remexeu e os dentes (esses da frente que gente normal usa pra sorrir) não voltavam ao padrão anterior. Vieram silvos mixos, nada de agudos silvestres.
Finalmente ele disse: Por que não me avisou? É tudo o que posso fazer. Só recuperei um ou outro trinado de aborrecer tico-tico.
Perdeu o cliente.
Uma dentada num churrasco levou as resinas.
Achei um doutor em dentística com boas indicações.
 – O senhor restaura assovios? – perguntei ao senhor de óculos foscos.

José Marins
A pedrada do amor
para a mulher manada

que tal um passeio
neste final de tarde
pode vir, o Sol já não arde
eu sei, sua pele é branca
a minha segue morena
que tal um sorvete
na lanchonete da esquina
experimenta o de pistache
deixa eu pago quebrei a banca
a sorte não é mais pequena
que tal um beijo doce depois
pode melar o rosto ou parte
dele pode ser no canto da boca
tenho no bolso um lenço de seda
mas prefiro guardar a umidade
que tal sorrir estas pestanas
um banco para sentar a la carte
passos estranhos a desfilar e a louca
passando ali sem roupa, a bêbada
pernas a remexer com e sem alarde
que tal depois um silêncio
sua mão sobre a minha com arte
a brisa tremendo sua voz rouca
meus ais prisioneiros como pedra
doida por se atirar nesta tarde
Tonicato Miranda

GOTA A GOTA

Nasci.
Era um poço raso, vazio;
com cinco filtros perfeitos
e um sexto,
que às vezes fazia sentido.

Através deles,
como um dreno ao viés,
a vida me foi preenchendo: gota a gota.

Primeiro, assentou pedras, as mais pesadas,
depositadas bem no fundo da infância.
Serviram para controlar a umidade da alma
e fixar meus pés no chão.

(Nasci tão leve e líquida. Não fosse esse peso,
eu seria um pássaro ou um peixe.)

Depois, a vida pregou-me outras peças.
Encaixou-as umas sobre as outras,
deixando raros intervalos entre elas.
Por esses vãos,
circularam rios de sentimentos.

E assim,  foi fazendo seu trabalho.
Construindo-me.
Habitou-me de amigos, amores, filhos.
Ergueu paredes, dividiu-me.
Plantou jardins, porões, sótãos, teias.
Quando percebi, estava cheia.

Comecei a escavar-me.
Estou quase no  fim.
Purgando: gota a gota
Abrindo espaços dentro de mim.

(marilda confortin)

dia dos namorados

AMOR? 

Amor não existe.

Quem quiser

tem que fazer


(marilda confortin)

FARMÁCIA ERVANÁRIO PLANTA VIDA

http://www.plantavida.com.br/

Essa é a farmácia e ervanário da minha filha Nayara e seu marido Edemir Peron. Ambos farmacêuticos. A sede é em Navegantes, SC. Mas todos os produtos podem ser comprados pelo site: http://www.plantavida.com.br/

Sabe aqueles remedinhos que a vó dava pra gente? Tem lá. Alguns até com o mesmo nome ainda... e pra não fazer uma propaganda de graça, sem poesia, lembrei do almanaque Biotônico Fontoura, criado e ilustrado por Monteiro Lobato. Ah... nem venham com essa! Eu adorava tomar biotônico!
E as histórias do Jeca Tatuzinho?
 Lembram dessa?
 "Numa casa de sapé
lá na beira do caminho
com dois filhos e a "muié"
mora o Jeca Tatuzinho.
No terreiro uma galinha
um galo velho e um leitão
e o quintal sem plantação.
Jeca vive descansando
nunca tem disposição
passa o dia se espreguiçando
diz que pro trabalho
não tem vocação.

Numa tarde que chovia
um doutor por lá passou
vendo Jeca que sofria
um remédio receitou

E lhe disse: meu amigo,
não ande mais de pé no chão:
Sua doença é amarelão
Jeca comprou sapato
prá família e prá a toda a criação
dava gosto a gente "vê"
galinha de botina
e galo de botinão.

Quem passar pelo caminho
fica logo admirado
já não tem mais o ranchinho
no lugar tem um sobrado.
Hoje em dia, o Tatuzinho
é o maior dos "fazendeiros"
tem saúde e tem dinheiro
sua história é uma lição
prá quem anda de pé no chão

Sapato no pé
prá não "entrá" os "bichinho"
É a receita do
Jeca Tatuzinho".

ENTÃO, CUMPADI, QUE TÁR ENTRÁ NO SÍTIO DA FÍA NAYARA E CUMPRÁ UM FORTIFICANTE PRA ACABÁ CUM ESSA TRISTEZA, CUM ESSA MOLEZA E FICÁ CUM MAIS DISPOSIÇÃO PRA VIVÊ, HOME! 

 QUÉ MAIS UMA POISIA DE REMÉDIO PRÁ VÊ O QUE É BOM PRA TOSSE?
POIS TOMA AÍ A "BROMILÍADAS", PARÓDIA DO POEMA "OS LUSÍADAS"







Busca e apreensão 

 Por Vilmar Daufemback,  poeta catarinense, ao ler meu livro.  


Reabro aqui minha adega
Na távola, Busca e Apreensão,
Com um tinto que me rega
E me entrega à prisão.

Prisão dos versos que leio
Onde eterno eu me condeno
A devorá-los sem freio
E deles me apequeno.

Da tua cepa sou mosto
Vinagre de acriazedume,
Sou casta de cheiro betume
Colhida em fim de agosto.

Levanto a ti minha taça
Santè! - desejo pra ti
Da minha adega que escassa
Versos como esses que li.
Vilmar Daufemback


Emocionada aqui, Vilmar. Muito obrigada

“Um Escritor na Biblioteca” recebe Joca Reiners Terron

 

Considerado um dos mais talentosos e inventivos escritores de sua geração, Joca Reiners Terron é o segundo convidado do projeto “Um Escritor na Biblioteca” em 2011. O encontro acontece no dia 24 de abril, às 19h, no Auditório Paul Garfunkel, na Biblioteca Pública do Paraná.

Terron nasceu em Cuiabá, em 1968, e vive em São Paulo. Poeta, prosador e designer gráfico, foi editor da Ciência do Acidente, pela qual publicou o romance Não há nada lá e o livro de poemas Animal anônimo. É autor também dos volumes de contos Hotel Hell, Curva de rio sujo e Sonho interrompido por guilhotina. Em 2011 o escritor venceu o prêmio Machado de Assis na categoria Romance, com o livro Do fundo do poço se vê a lua.

A prosa de Terron é marcada pela profusão de estilos literários, dando origem a uma literatura ao mesmo tempo nova e original, que parte da tradição em busca da experimentação. Seu mais recente livro, Guia de ruas sem saída, acaba de ser lançado e traz desenhos do artista visual curitibano André Ducci.

Até novembro, outros sete escritores vão participar do projeto, entre eles João Gilberto Noll, Rubens Figueiredo, Edney Silvestre e Luiz Vilela. O próximo encontro será em 15 de maio, com Domingos Pellegrini. Todos os encontros têm entrada franca.

Releitura

“Um Escritor na Biblioteca” é a releitura do projeto homônimo realizado pela BPP na década de 1980. Na primeira versão, passaram pela BPP Fernando Sabino, Helena Kolody, Paulo Leminski, Fernando Sabino, entre outros.

As conversas também são transcritas, editadas e publicadas pelo Cândido, jornal de literatura da Biblioteca Pública do Paraná. A TV E-Paraná, parceira da Biblioteca no projeto, grava e transmite os bate-papos em sua grade de programação.
  

Serviço
Um Escritor na Biblioteca
Bate-papo com o escritor Joca Reiners Terron;
Dia 24 de abril, terça-feira, às 19h.
No Auditório Paul Garfunkel, no segundo andar da Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133, Centro, Curitiba-PR), (41) 3221-4900.
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