Dona Doida

Trompete e poesia inauguram projeto cultural Diálogos Possíveis

fevereiro 27, 2012


Solos e improvisações no trompete permeados por altas doses de poesia. Com essa mistura pouco provável será inaugurada a Quarta Cultural do Dona Doida Restobar. O projeto Diálogos Possíveis – uma das propostas da Quarta Cultural – reúne nesta quarta, 29 de fevereiro, o lendário Saul Trumpet, ícone boêmio da noite curitibana, e a poetisa Marilda Confortin, assídua participante do circuito cultural da capital paranaense.

Para sua apresentação Marilda preparou três intervenções de dez minutos, “a cada hora, pra ninguém enjoar de ouvir poesia”. Promete que vai ser, ao contrário do que alguns possam pensar, bem divertido. Marilda também aprovou a ideia de dividir a noite com o amigo Saul.
O trompetista, por sua vez, promete uma noite memorável, bem ao estilo do bar que levava seu nome, na Cruz Machado, que durante 15 anos reuniu as mais variadas figuras da noite curitibana. “De bandidos a governadores”, lembra Saul.

Para o projeto Diálogos Possíveis Saul Trumpet promete dividir democraticamente o tempo e o espaço com a poetisa Marilda. E não haverá palco nem microfone: ela e o músico circularão entre as mesas e os convidados. “Vai ser uma noite de arrebentar”, resume Saul.

Dona Doida Restobar
O Dona Doida Restobar, inaugurado no dia 18 de janeiro, traz a Curitiba uma tendência mundial, mas ainda pouco explorada na cidade: a ideia de mesclar os conceitos de bar e restaurante. Comida de boteco e cozinha gourmet integram as opções do cardápio. Tudo isso num ambiente informal e convidativo. Há, ainda, novidades: a quarta-feira, por exemplo, vai além do cardápio fixo. A cada semana a chef Aline Tomaz prepara um prato diferente, elaborado com produtos frescos, adquiridos no dia. Portanto, além dos eventos gastronômicos e culturais, há a surpresa de perguntar ao garçom qual o quitute da noite. Para quem prefere chegar ao Dona Doida certo do que vai comer a dica é a tradicional galinhada, servida todos os dias, na panelinha da doida.
SERVIÇO
Assunto
: Saul Trumpet e Marilda Confortin
Quando
: Quarta-feira, 29 de fevereiro
Horário
: A partir das 20 horas
Local
: Dona Doida Restobar – Alameda Princesa Izabel, 704, Mercês (Entre Brigadeiro Franco e Desembargador Motta)
Contatos
:
Fernanda Martins: 8868 5644
Aline Tomaz: 9694 5447
www.donadoidabar.com.br

Ebook Contrición

Español 



Livro de poesias no formato eletrônico, com 38 páginas, reunindo alguns dos meus poemas traduzidos para o espanhol.  





Sei-os

... ainda no espírito da poesia erótica, Tonicato enviou-me alguns poemas para publicar no Blog. Escolhi este porque combina com a pintura de  Maria Madalena, de Tiziano que acho muito bonita.
Madalena - Tiziano 1530-1535


SEI-OS

Tonicato Miranda

Existem seios iguais a botões
novos brotos desabrochando
pequenas colinas em elevação
Existem seios que são melões
pesados, inchados, apetitosos
jamais se contêm nos soutiens
Existem seios quase decoração
tamanho certo, forma perfeita
a eles bastam simples combinação
Existem seios muito murchos
cansados de bocas e choros
inibem garruchas, esvaziam cartuchos
Existem seios que são abacates
verdes e rígidos, muito arrebitados
espetam o tesão de pobres mascates
Existem seios qual doces cerejas
pequenos como pingos de amor
cantado em bares e no calor das cervejas


Poesia erótica


... claro que vou. E pra combinar com esse tema, deixo um poema ímpar, que escrevi para meu par. Independente das mudanças ortográficas e climáticas da vida, ele sempre terá seu acento gráfico cativo em meu coração.

Pro Par Oxítono
Inóspito,
responde ríspido
à minha presença abrupta
sobre sua tela plana
e impávido desconecta
rápido como relâmpago.

Erótico,
passeia de helicóptero
entre minhas pernas trêmulas
derrete minha máscara
de lantejoulas pretas
e me ama incandescente
sobre o piso de mármore
de um hotel barato.

Artístico,
tatua em minhas costas
a capa do próximo livro,
capta meus sentimentos
com máquina fotográfica
e me deixa atônita
com seus rabiscos mágicos.

Cândido,
acolhe-me lírico
em seu crisálido peito,
sussurra blandícias,
bucólicos hinos,
e me nina angélico,
o diabólico menino.
 

Sonidos de nascimento e morte


Entrei numa fase muito sensível.
Sinto muito. 
Muito mais que expresso.

Parece sem sentido, mas,
inícios e fins têm o mesmo ruído.

Fecho os olhos.
Recém nasci.
Menina.
Minha mãe me nina.

Primeiros sons:
O coração dela batendo
no mesmo compasso da velha cadeira de balanço.
(uma perna mais gasta que a outra)
 
Tum-tuum, Tum-tuum, Tum-tuum...


(marilda confortin)

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